quarta-feira, 3 de julho de 2013

Minas Time Passing




It's something right
It's something wrong
It's something around the clock

It's something clear
It's something blurred
It's something that you can't see in the clock

It's something getting better
It's something getting worse
It's something over the clock

It's something bunchy
It's something spread
It's something that overlaps the clock

It's something fluid
It's something solid
It's something stuck on the clock

It's something silent
It's something noisy
It's something that unloads the clock

It's something hide
It's something present
It's something tied to the clock

It's something that flaps and remains ...
Out of the clock

(during vacation in Minas, inspired by the remembrance of the song 'Drive' by R.E.M.)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Fórum: "O que é poesia?"

Poesia é quando um fio d'água
corre para trás ou dá nó
sem nenhum truque de imagem.

É quando o pavio da vela
acende sem que se assopre.

É quando o ator comove,
sem esperar,
uma plateia inteira.

É quando se conhece e se ama
sem se lembrar de ter visto antes.

É quando uma lágrima sai
aos pedaços e assopros.
Da garganta.

sábado, 11 de maio de 2013

Descascar laranja

Descascar laranja







(...)

Forjar: domar o ferro à força,
não até uma flor já sabida,
mas ao que pode até ser flor
se flor parece a quem o diga.

(‘O ferrageiro de Carmona’,

João Cabral de Melo Neto)





Repare, mestre das pedras:
descascar laranja também
se limita com seu ofício
e com outros ocupacismos.

É o revirar do fruto ao vento
queda de seu suco em renda.
É despelar na faca-língua
o alimento e o suor das gentes.

Tirar a casca do mundo cão inteira sem lhe ferir as penas.
Rodar nas mãos a coisa nova
velha de novo e vice-versa,
à cria lima sem eira nem beira.

Laranja, gole de sumo à vista,
forma desnudada que mente:
É verdade-bagaço em tiras
cuidadosamente extraída.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Vento Solar



Um sol cor de passado queima as vistas cheias
Ao operador desatento de seu dever
Traz cheiro de tempero mascado de mãe
E lembranças do traçado gasto da coisa infante

Sua mente visa grosso o agora e acura o alheio
Rápida como a agulha solta no palheiro,
inexata como aquele pensamento em vão,
Atordoada sobre esta superfície branca.

Mas para que na fuga do aqui, permaneça
E na espera do que foi, atravesse calmamente
O operador ignora o sol de ontem que o atravessa
E retorna ao presente branco que o alimenta.

Narre aqui também seu primeiro porre...