Poesia é quando um fio d'água
corre para trás ou dá nó
sem nenhum truque de imagem.
É quando o pavio da vela
acende sem que se assopre.
É quando o ator comove,
sem esperar,
uma plateia inteira.
É quando se conhece e se ama
sem se lembrar de ter visto antes.
É quando uma lágrima sai
aos pedaços e assopros.
Da garganta.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
Descascar laranja
Descascar laranja
(...)
Forjar: domar o ferro à força,
não até uma flor já sabida,
mas ao que pode até ser flor
se flor parece a quem o diga.
(‘O ferrageiro de Carmona’,
João Cabral de Melo Neto)
Repare, mestre das pedras:
descascar laranja também
se limita com seu ofício
e com outros ocupacismos.
É o revirar do fruto ao vento
queda de seu suco em renda.
É despelar na faca-língua
o alimento e o suor das gentes.
Tirar a casca do mundo cão inteira sem lhe ferir as penas.
Rodar nas mãos a coisa nova
velha de novo e vice-versa,
à cria lima sem eira nem beira.
Laranja, gole de sumo à vista,
forma desnudada que mente:
É verdade-bagaço em tiras
cuidadosamente extraída.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Vento Solar
Um sol cor de passado queima as vistas cheias
Ao operador desatento de seu dever
Traz cheiro de tempero mascado de mãe
E lembranças do traçado gasto da coisa infante
Sua mente visa grosso o agora e acura o alheio
Rápida como a agulha solta no palheiro,
inexata como aquele pensamento em vão,
Atordoada sobre esta superfície branca.
Mas para que na fuga do aqui, permaneça
E na espera do que foi, atravesse calmamente
O operador ignora o sol de ontem que o atravessa
E retorna ao presente branco que o alimenta.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
sábado, 6 de abril de 2013
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